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Jovens Querem Relacionamento Duradouro
Carlos Alberto Di Franco, São Paulo/SP
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Professor de Ética Jornalística (Fonte: O Estado de São Paulo - 24/05/99)
Deus, os pais, anjos e milagres são os campeões da credibilidade no mundo dos adolescentes. Os dados revelados em várias pesquisas feitas por institutos europeus, confirmam uma tendência mundial. Após décadas de liberação dos costumes, toda uma geração de quarentões assiste, perplexa a uma contra-revolução moral protagonizada por seus filhos.
A religião, sintonia de alienação na geração do oba-oba, ganha espaço no mundo dos jovens. Entre os surfistas, por exemplo, cresce o número de adeptos do uso de medalhinhas, escapulários e crucifixos. O padre Marcelo Rossi, em São Paulo, e o padre Zeca, no Rio, são exemplos de uma nova geração de pregadores que falam das coisas de sempre, mas entusiasmam os teens de agora.
O novo mapa da juventude, embora pouco divulgado, não é novidade para quem mantém contato com o universo estudantil. Aliás, há dois ou três anos, o Estado já vinha detectando a mudança comportamental. Levantamento feito pelo Instituto Gente mereceu destaque no caderno Cidades: Jovens querem País mudado e amor duradouro. O lead da matéria salientava á importância que o jovem atribui ao ambiente familiar. Em casa deixou de rotular os pais de caretas, para buscar neles a figura do companheiro. No relacionamento com o sexo oposto, 61,4% dos entrevistados manifestaram o desejo de manter um vínculo firme e fixo. Apenas 3,9% deles caracterizavam sua ligação afetiva como descomprometida. A pesquisa derrubou alguns estereótipos e transmitiu interessante recado.
A juventude real, perfilada nos dados das pesquisas, está identificando valores como respeito, amor, amizade. Há uma demanda reprimida de âncoras morais e de normalidade afetiva. O fenômeno não é nosso. E universal. Convencidos de que "o verdadeiro amor espera", inúmeros casais de namorados da Califórnia se comprometem a viver a castidade até o dia do casamento. A. C. Green, jovem e festejado campeão de basquete, liderou a campanha "Atletas pela Abstinência" e fez palestras em escolas e faculdades para auditórios lotados. Como outras celebridades do esporte, ele lançou um videodocumento em ritmo de rap: It Ain’t Worth In. O recado é simples: guarde o sexo para o casamento. Fundamentalismo? Onda neoconservadora? Talvez uma desesperada tentativa de recompor. a afetividade dilacerada pela frieza da indústria do sexo. Quem sabe uma nova atitude, mais consciente e amadurecida, que a mídia aparenta desconhecer.
A nova tendência comportamental, embora influenciada pelo fantasma da Aids, tem raízes mais profundas. Os filhos da permissividade sentem uma aguda nostalgia de valores. Os anos da revolução sexual produziram muito sexo e pouco amor. O relacionamento descartável deixou o travo do vazio. Agora, o auê vai sendo substituído pelo sentido do compromisso. A juventude real, não a de proveta, imaginada por certa indústria cultural, manifesta uma procura de firmeza moral. Aspira, ao contrário do que se pensa, ao conselho seguro. Não quer a concessão da velhice assanhada. Espera, sim, a palavra que orienta.
O tema da sexualidade, puritanamente evitado pela geração que se formou na caricata moral dos tabus, explodiu, sem limites, na síndrome de Woodstock. O terceiro milênio, no entanto, não será conservador na acepção pejorativa que a prostituição semântica impôs ao termo. Será, estou certo, um período de recuperação do verdadeiro humanismo.
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