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Segunda, 21 Março 2016 12:22

O CAMINHO DA SEMANA SANTA Destaque

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Fonte: A Palavra – Revista Paróquia São Luís Gonzaga - P. Adilson José Colombi scj. Fonte: A Palavra – Revista Paróquia São Luís Gonzaga - P. Adilson José Colombi scj.

 2016pascoaO Ano Litúrgico da Igreja pode ser comparado com um caminho. O Caminho que o seguidor (a) de Jesus Cristo é convidado (a) a trilhar junto com ele, em uma comunidade de fé. Foi o próprio Jesus que disse aos seus discípulos: “Se alguém quiser vir comigo, renuncie-se a si mesmo, tome sua cruz e siga-me” (Mt 16,24). Caminho que tem rumo certo único, mas que é vivido em várias etapas. Começa com um grande ponto de referência, o Natal do Senhor, que tem por centro e fundamento o mistério da Encarnação. Tem sua preparação nas quatro semanas do Advento e seu desenvolvimento nos domingos após o Natal.

Vivida esta etapa, inicia-se a segunda grande etapa no Caminho do seguimento de Jesus, sob orientação da Liturgia, com os olhos voltados para a Páscoa, a Memória da Ressurreição do Senhor Jesus. É o Ciclo da Páscoa, cujo centro e fundamento é o mistério da Redenção operada por Jesus de Nazaré. Também, aqui, há o período de preparação, as quatro semanas da Quaresma, que antecedem a Semana Maior, a Semana Santa, centrada na Festa maior da fé cristã, a Páscoa do Senhor.

A Semana Santa é o ponto alto do Ano Litúrgico. A espiritualidade da Semana Santa perpassa o Domingo de Ramos e da Paixão, à Quinta-feira Santa, à Sexta-feira da Paixão, o Sábado de Aleluia, à Vigília Pascal e o Domingo da Ressurreição.

A liturgia da Semana Santa ajuda-nos a seguir os passos de Jesus Mestre no amor-sofrimento e aprendemos dele a confiar em Deus, que transforma a morte em ressurreição. Muito mais do que uma mera recordação dos fatos, as celebrações da Semana Santa são um memorial no qual participamos da salvação realizada por Cristo.

Domingo de Ramos e da Paixão

A celebração do Domingo de Ramos tem dois momentos: a Benção dos Ramos, com a procissão que nos faz viver o momento em que o povo aclama com entusiasmo o Cristo que entra na Jerusalém; e a Missa, na qual re_ etimos sobre o Mistério Pascal – a paixão, morte e ressurreição de Cristo. Participar da Procissão de Ramos é acolher Cristo como o Bendito que vem em nome do Senhor, demonstrando que Ele é o centro de nossa vida e que nós estamos dispostas a caminhar com ele, pelas estradas da vida.

Os ramos são um sinal do encontro com Cristo em sua caminhada à Jerusalém. Ao levarmos os ramos para casa, simbolizamos nosso compromisso com Cristo de acompanhá-lo até a Casa do Pai, no Reino dos Céus.

Segunda, Terça e Quarta-Feira da Semana Santa

Na segunda, terça e quarta-feira da Semana Santa, a liturgia nos apresenta Cristo, em sua missão de Messias Redentor, que se encaminha para o sacrifício pela salvação do mundo. A espiritualidade destes dias pode ser resumida pelas palavras presentes no Prefácio da Paixão II: “Já se aproximam os dias da sua Paixão salvadora e Ressurreição gloriosa, pelo quais é vencida a soberba do antigo inimigo e se faz memória do Sacramento da nossa redenção”. Os evangelhos relatam os últimos acontecimentos da vida de Jesus. Nestes dias, a Igreja medita a Paixão de Cristo como fonte de vida eterna, perdão, graça da ressurreição e esperança da eternidade junto a Deus.

Quinta-feira Santa – Início do Tríduo Pascal

A Quinta-feira Santa é o começo do Tríduo Pascal. Jesus, no Cenáculo, como Mestre dá as últimas orientações para entrar em seu discipulado e como perseverar nele. O evangelista João relata que, após lavar e enxugar os pés dos discípulos, Jesus disse: “Vocês me chamam Mestre e Senhor e eu o sou. Se eu lhes lavei os pés, vocês devem lavar os pés também uns dos outros” (Cf. Jo 13, 12-14). Jesus se faz servo e propõe aos discípulos a prática do amor serviçal. Está aí o fundamento último de todas as atitudes do discípulo que quer, de verdade, seguir o Mestre Jesus.

Na manhã da Quinta-feira Santa, o bispo reúne o clero da diocese e preside a “Missa do Crisma” ou dos “Santos Óleos”. É a solene renovação da Ordem, o Sacramento do serviço amoroso, cuja origem vem do mandato de Jesus na última ceia: “Fazei isto em memória de mim” (Lc 22,19). O sacerdote é o servidor do povo de Deus, o distribuidor da Palavra Viva do Pai e o Pão Vivo descido do Céu. O bispo consagra o óleo do crisma e os óleos que serão usados no batismo e na unção dos enfermos. Cada sacerdote recebe uma medida, em sinal de unidade da Igreja ao redor de Cristo Mestre, Servidor e Sacerdote.

A liturgia da noite de Quinta-feira Santa celebra a instituição da Eucaristia. A Transladação e o desnudamento do Altar concluem a liturgia da Quinta-feira Santa. Após a celebração eucarística, o pão consagrado é transferido para um altar lateral da igreja, diante do qual os fiéis fazem vigília, acompanhando Jesus na noite de sua prisão e agonia. A simplicidade e o silêncio do pão eucarístico envolvem o mistério da presença de Cristo ressuscitado na comunidade.

Sexta-feira da Paixão – segundo dia do Tríduo Pascal

A Sexta-feira Santa, ou da Paixão, é o dia mais celebrado na devoção popular. Via-sacra encenada, procissão do Senhor morto, procissão do encontro mobilizam o sentimento, a devoção e a é povo.

A Igreja se reveste de um silêncio reverente diante da paixão do Senhor. Jesus poderia ter agido bem diferente, sem passar por tudo o que já sabemos. Todavia, quis provar seu amor e sua solidariedade, passando por tudo o que nós passamos: a dor e a morte. Essa é a loucura da cruz de que fala o apóstolo Paulo. Uma pessoa apaixonada faz qualquer loucura e não mede sacrifícios e riscos para agradar o ser amado. É o que Deus fez por nós.

A Semana Santa nos convida a refletir, a contemplar esse amor e a deixar que ele nos transforme em pessoas novas, libertadas do pecado e santificadas pela morte e ressurreição de Jesus.

Sábado de Aleluia – Terceiro dia do Tríduo Pascal

O Sábado Santo ou de Aleluia é reservado ao silêncio e à esperança amorosa da ressurreição. Enquanto o Senhor desce às profundezas da condição humana mortal e vence o poder da morte eterna, a Igreja espera, ansiosa e confiante, na certeza de que Ele vive e, em breve, ecoará por todo o universo o Aleluia pascal, a passagem de toda a criação para a vida nova, libertada e definitiva. A fé e a esperança revestem o coração humano de paz. A paz é o dom que o Ressuscitado compartilha com os discípulos em forma de saudação: “a paz esteja convosco”. A paz conquistada por quem enfrentou e venceu a mais terrível e dolorosa luta e entregou a vida por amor. A paz que reveste o corpo chagado e glorioso do Ressuscitado com o manto branco da ressurreição, dom do Pai e ação do Espírito Santo. A Cruz é o símbolo desta entrega, do dom total da vida.

Vigília Pascal

A Vigília Pascal é o rito mais longo do Ano Litúrgico e também mais importante por proclamar solenemente a Ressurreição de Cristo, fundamento da fé. Por isso, neste dia, faz-se a renovação das Promessas do Batismo e a Ceia Eucarística, na qual o Irmão Ressuscitado reúne seus irmãos e irmãs na partilha do pão.

A Vigília começa com o acendimento do fogo novo. O significado do fogo na Bíblia é a proximidade de Deus e sua comunicação com o ser humano. Círio Pascal é aceso no fogo novo e entra na igreja escura. Simboliza a luz de Cristo ressuscitado que renova a criação e a liberta das trevas do pecado e da morte. A luz de Círio é espalhada pelas velas que os fiéis têm nas mãos, símbolos do batismo, pelo qual cada criatura renasce na luz de Deus.

A seguir, é feita a solene Proclamação Pascal (Exsultet), que narra em forma poética a ação libertadora de Deus, desde a Páscoa do Egito, até a Ressurreição de Cristo. A liturgia da Palavra faz memória da ação libertadora de Deus, que promete o Salvador e cumpre a promessa em Cristo Ressuscitado, o novo Adão, no qual todas as criaturas recebem vida nova. Em resposta à libertação oferecida por Cristo, a Igreja renova a aliança do batismo, cujo símbolo principal é a água.

Segue a celebração da Eucaristia, na qual todos os que foram libertados e recriados são chamados à mesa, como filhos e filhas de Deus e irmãos (ãs) do Filho Primogênito que, ao abrir a porta do túmulo, franqueou para todos as portas da casa do Pai.

Domingo da Ressurreição – Cristo RESSUSCTIOU, ALELUIA!!!

A Ressurreição de Jesus é o ponto culminante da Semana Santa e do Ano Litúrgico. Conforme os relatos dos Evangelhos, a primeira pessoa a receber a comunicação de Cristo ressuscitado foi Maria Madalena, a discípula que mais o amava.

A fé cristã nos assegura que a meta da vida é a ressurreição. São Paulo, no capítulo 15 da Primeira Carta aos Coríntios que ele escreve com mais clareza: diz que o ato de enterrar o corpo de uma pessoa é como plantar uma semente na terra. A semente apodrece para dar vida a uma planta da mesma natureza dela. O corpo ressuscitado é novo, nasce uma vida nova. É a mesma pessoa, libertada de todos os limites e sofrimentos da vida humana e transformada, pela graça de Deus, em pessoa plena, realizada, gloriosa e totalmente feliz.

Com a ressurreição, Deus completa, por seu amor, aquilo que ainda nos faltava para sermos discípulos de Jesus e alcançarmos a santidade. Deus nos dá de presente aquilo que nós não fomos capazes conquistar por nossas próprias forças. E esse presente é a salvação, obtida para nós pela morte de Jesus. O que nos cabe na morte é aceitar o amor e deixar que ele nos transforme e nos faça santos como Deus deseja.

O discípulo (a) missionário (a) do Senhor Jesus, em todos os anos renova, vivendo a espiritualidade da Semana Santa, a escolha que fez de seguir o Mestre até o fim, buscando conservar e aperfeiçoara a vida nova, seguindo o Mestre Jesus.

Fonte: A Palavra – Revista Paróquia São Luís Gonzaga - P. Adilson José Colombi scj.

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