Evangelho do Dia
sexta-feira,  
30 de julho de 2010

Agosto
12 a 15 - Bagé
19 a 22 - Jundiaí
19 a 22 - Bagé
19 a 22 - Joinville
26 a 29 - Joinville

Setembro
2 a 5 - Brasília
25 - Jundiaí

 
 
 
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"... dois deles iam em direção a uma aldeia chamada Emaús, quando o próprio Jesus alcançou-os ..."
"eles insistiam: Fica conosco Senhor, pois é tarde e o dia declina ... E o reconheceram ao partir o pão"
"Levantaram-se imediatamente, voltaram a Jerusalém ... e contaram o que acontecera no caminho"
Leia na Íntegra (Lc 24, 13-35)



Secretariado: Nacional/BR
Deus ou o dinheiro?, por Pe. Vitor Galdino Feller*

Como no ano 2000 e em 2005, a Campanha da Fraternidade deste ano é coordenada pelo Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (Conic), associação surgida em 1982, com o objetivo de incentivar o ecumenismo, a unidade querida por Cristo entre os cristãos. Atualmente, cinco igrejas fazem parte do Conic: Católica, Anglicana, Luterana, Presbiteriana Unida e Sirian Ortodoxa. Escolheram como tema deste ano a grave questão da economia. E puseram como lema a alternativa de Jesus de Nazaré: Deus ou o dinheiro? Ninguém vive sem dinheiro. A pergunta é: que lugar ele ocupa em nossa vida? Que valores regem nossas mentalidades e comportamentos?

Jesus de Nazaré percebeu que na sociedade do seu tempo havia um duelo entre os servidores do Deus vivo e verdadeiro e os servidores dos ídolos do mundo. Religiosos praticantes, como alguns fariseus, doutores da lei e sacerdotes do templo eram muito amigos do dinheiro, usavam o nome de Deus em vão porque o seu verdadeiro deus era o dinheiro. Advertiu os discípulos a não tentarem servir a dois senhores: Deus e o dinheiro.

Na linha dos profetas e sábios, Jesus percebeu que Mamon, o deus do dinheiro e das riquezas, quer ser servido como rival do verdadeiro Deus. Não tendo vida própria, o dinheiro e os bens terrenos precisam de vidas humanas para poderem manter-se na crista da onda. São endeusados, tornam-se ídolos que exigem sacrifícios humanos. Por sua causa há tantas mortes antes do tempo, por desnutrição, por doenças crônicas, em guerras, no narcotráfico, no trânsito, etc.

Diferentemente de Mamon, o Deus vivo e verdadeiro é o Deus que dá vida. Vida plena e para todos, não só para alguns. Hoje, não se pode mais apelar para Deus como culpado pela pobreza e fome de tanta gente. Tempos atrás, dizia-se que pobreza e riqueza vinham de Deus. Pior ainda, que pobreza era castigo e riqueza era bênção. Hoje, se sabe que a pobreza do mundo é fruto da ganância humana. Claro que há desgraças inexplicáveis, desastres naturais e doenças incuráveis que não têm origem só na ação humana.

Mas é cada vez mais evidente que a miséria e a fome de bilhões de pessoas têm como causa os modelos econômicos perversos, baseados no egoísmo, na concentração de renda, no consumismo desenfreado. Contam os bens, não as pessoas. João Paulo 2º dizia que há ricos cada vez mais ricos à custa de pobres cada vez mais pobres. Em sua mensagem para a Campanha da Fraternidade deste ano, o papa Bento 16 escreveu: “A escravidão ao dinheiro e a injustiça têm origem no coração do homem, onde se encontram os germes de uma misteriosa convivência com o mal”.

A Campanha da Fraternidade deste ano aponta para outra economia. Mais solidária com os pobres e com o meio ambiente, mais fundamentada na relação entre as pessoas. Uma economia que ponha a vida em primeiro lugar, que proponha a globalização da solidariedade, aponte para outro modelo econômico, condenando enfaticamente o modelo atual, produtor de tantas mortes. Nesse ponto, têm importância formas germinais de economia solidária, economia de comunhão, fundos de solidariedade, bancos de microcrédito, mutirões contra a fome, agricultura familiar e agroecológica etc.

*Padre, teólogo e Diretor Espiritual do Movimento de Emaús de Florianópolis.
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